Anthus

A família cosmopolita Motacillidae é representada, na América do Sul, pelo gênero Anthus (caminheiros) e compreende espécies terrícolas, campestres e que se camuflam muito. Nidificam no solo, construindo ninhos em forma de tijela sob moitas de capim. A fêmea incuba sozinha, mas o macho ajuda nos cuidados parentais (Sick 2001).

Anthus correndera - caminheiro-de-espora


  Registros de caminheiro-de-espora no WikiAves

O caminheiro-de-espora mede 14,5 cm de comprimento.

Vive em campos justamarítimos e sobre a vegetação rasteira das dunas de praias e também nos pastos, campos e pampas.

De acordo com Sick (Ornitologia Brasileira, 1997), a espécie ocorre dos Andes peruanos ao Chile, Bolívia, Argentina, Uruguai e Brasil meridional (do Rio Grande do Sul ao litoral paulista).

Anthus furcatus - caminheiro-de-unha-curta


  Registros de caminheiro-de-unha-curta no WikiAves

Ameaçado de extinção

O caminheiro-de-unha-curta mede 14,5 cm de comprimento. Tem bico curto, unha do hálux curta e curvada.

Vive nos campos de gramíneas de clima temperado e campos de altitude subtropicais ou tropicais, como campos justamarítimos em praias, pampas e de espinilho, por vezes ocorrendo ao lado do caminheiro-de-barriga-acanelada.

Ocorre nos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Anthus hellmayri - caminheiro-de-barriga-acanelada


  Registros de caminheiro-de-barriga-acanelada no WikiAves

O caminheiro-de-barriga-acanelada mede 15 cm de comprimento. De cor castanho-esverdeada, costuma ser identificado pelo seu canto singular; as patas são relativamente altas, o bico é fino e curto e a cauda, longa.

Espécie terrícola, campestre e que se camufla muito. É localmente comum em campos rupestres e campos de altitude até 2400 m, campos com gramíneas baixas e terrenos limpos. Canta empoleirando-se baixo sobre arbustos ou em curtos voos verticais. Possui hábitos semelhantes aos de outros Anthus.

Ocorre em campos secos e áreas pedregosas na Região Sul e campos de altitude no Sudeste.

Anthus lutescens - caminheiro-zumbidor

A plumagem do caminheiro-zumbidor é uma mescla de rajados e bolas cinza escuro contra um fundo claro. A barriga é um pouco mais amarelada, sem as cores escuras. A silhueta é de uma ave longilínea, acentuada pelo bico fino e a longa cauda. Pernas longas, finas e alaranjadas ou amareladas.

É comum em campos, beiras de lagos, rios e pântanos. É de difícil observação, tanto por suas cores, como pelo hábito de preferir afastar-se caminhando a voar. Também agacha-se no meio dos capins e camufla-se bem com o entorno. Anda e corre rente ao solo, empoleirando-se pouco e evitando voar. Quando perseguido agacha-se no solo, ocultando-se atrás de um monte de terra ou do capim. Migra após a época da reprodução e não canta durante a migração.

A espécie é migratória no sul da distribuição geográfica. Presente em todo o Brasil nas regiões campestres quentes, estando ausente de áreas densamente florestadas, como alguns locais da Amazônia. Encontrado também no Panamá e em quase todos os demais países da América do Sul, com exceção do Equador.

Anthus nattereri - caminheiro-grande


  Registros de caminheiro-dourado no WikiAves

O caminheiro-grande apresenta uma plumagem dorsal fortemente estriada de preto e amarelo e o ventre esbranquiçado. Destacam-se o bico, o tarso e os dedos bastante longos, além da unha hálux (dedo I), que chega a atingir 15 mm de comprimento (Sick, Ornitologia Brasileira, 1997).

Como as demais espécies do gênero, emite cantos complexos enquanto realiza voos altos, subindo quase verticalmente a cerca de 25 m de altura do chão, e deixando-se cair rapidamente, emitindo uma série de notas nasais.

Vive em campos pedregosos (Sick 1997), campos secos e pastagens, tendo sido observado em pastagens próximas ao reservatório de Furnas (Alfenas) e em Monte Belo. Ocorre às vezes ao lado de outras espécies congêneres, como registrado em Poços de Caldas (Sick).

Ocorre de Minas Gerais a São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Raro e com distribuição pontual, A. nattereri é uma espécie seminômade muito pouco conhecida. Trata-se de uma espécie de difícil identificação e observação, contando com pouquíssimos registros atuais.

Referências externas

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